Por meio de palestra, ele teria convencido grupo de SP a pagar por vagas

A Justiça Federal condenou a cinco anos de prisão um comerciante de Mauá (SP) por tráfico de pessoas e estelionato. Ele foi acusado de cobrar para levar oito brasileiros à Inglaterra, prometendo empregos registrados, moradia e documentos oficiais. Quando chegaram ao Reino Unido, as vítimas não receberam casa, tiveram que trabalhar clandestinamente e acabaram deportadas. Segundo a ação, o grupo teve um prejuízo de R$ 30,8 mil. O réu poderá recorrer da sentença em liberdade.

O comerciante foi denunciado em 2006 pelo Ministério Público Federal, em Sorocaba (SP), mas a procuradoria já sabia do caso desde 2001. A demora na decisão judicial se deveu à dificuldade de encontrar e ouvir o acusado e as vítimas. Além da prisão, o juiz federal Marcos Alves Tavares determinou aplicação de multa ao réu e que ele cobrisse os prejuízos das vítimas.

A pena básica, de dois anos, foi aumentada a pedido da Procuradoria, alegando que o acusado respondia a outro processo por aliciamento para a emigração e que cometeu o crime contra oito pessoas.

Palestra atraiu interessados
Foram para a Inglaterra cinco mulheres, além de um casal com um filho de 2 anos. Eles conheceram o comerciante durante uma palestra em 2000 na cidade paulista de Itapetininga, na qual ele teria prometido contratar trabalhadores para empresas do Reino Unido. No evento, segundo os depoimentos, os interessados preencheram uma ficha cadastral, souberam que iam entrar no Reino Unido como turistas e até receberam instruções sobre como enganar a imigração britânica.

O grupo contou à Justiça que o réu prometeu salários de cerca de R$ 3 mil para atividades nas áreas de produção industrial, empresas de frutas, ração e verduras. Além disso, os contratados teriam moradia, transporte e ajuda na chegada à Inglaterra. Pelo emprego, o comerciante teria cobrado R$ 1.000 de cada adulto, além de US$ 600 para providenciar documentos. Com esses custos e as despesas da viagem, as vítimas relataram um prejuízo próximo de R$ 30.850,00.

Ainda segundo o MPF, quando chegaram a Londres, duas brasileiras tiraram fotos de todos e disseram que iam obter documentos legais para o grupo. Ao receber os documentos, as vítimas viram que as cédulas de identidade diziam que eram portugueses. Elas também precisaram pagar pelo hotel. Posteriormente, foram procuradas por uma mulher que disse ter arranjado casa e serviço para seis deles na cidade de Klinge. Segundo as vítimas, a casa era suja e os empregos, diferentes do prometido. Cada pessoa recebia R$ 500 por semana e trabalhava em várias empresas diferentes. Após dois meses e meio, as autoridades britânicas descobriram, prenderam e deportaram os brasileiros.   Fonte: Portal G1 / Empregos e Concursos 

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