esperança de vida do brasileiro subiu para 73 anos O IBGE divulgou, na semana passada, inúmeros dados do Censo 2010 dando conta de que a esperança de vida do brasileiro subiu para 73 anos e que os idosos com 60 anos ou mais formam o grupo que mais cresceu na última década. Como eles estão em termos de trabalho?José Pastore - O Estado de S.PauloAté pouco tempo atrás as empresas se mostravam arredias em relação às pessoas de meia-idade, que eram consideradas como superadas e de baixa produtividade. No caso de idosos, a repulsa era maior ainda.Os dados mais recentes mostram uma nova realidade. Em 2009 havia no Brasil cerca de 22 milhões de idosos. Destes, 6,5 milhões (cerca de 30%) estavam em plena atividade (Pnad 2009). Há 20 anos essa proporção era de 24% (Censo de 1991). O que explica esse expressivo salto num grupo que, no passado, já havia parado de trabalhar?Do lado dos idosos, eles estão chegando ao mercado de trabalho com mais saúde, mais instrução e mais necessidade de trabalhar. Com a corrosão dos valores das aposentadorias e pensões, o trabalho se tornou indispensável para o seu sustento e para o de seus familiares, quando moram juntos. Na média, eles respondem por 55% da renda dos domicílios.Do lado dos empregadores, cresce a disposição para contratar idosos porque os mais jovens estão adiando a sua entrada no mercado de trabalho. Isso ganha importância com o atual aquecimento da economia, que está provocando uma falta de mão de obra generalizada. Abre-se, assim, uma janela de oportunidade para os mais velhos.Vale a pena contratar idosos? Os empregadores, em especial os do comércio e dos serviços, têm enaltecido as vantagens psicossociais e econômicas nesse tipo de contratação. De um modo geral, os funcionários com mais idade atendem os consumidores e clientes com cortesia, atenção e tolerância. Eles são vistos pelos empregadores como pessoas responsáveis, amadurecidas, equilibradas, assíduas e zelosas naquilo que fazem, apresentando um trabalho diferenciado.Bem diferente é o trabalho dos jovens da geração Y, que têm muita pressa de se promoverem e pouca lealdade para com as empresas. Os gestores mais velhos (pertencentes à geração X) têm dificuldade de entender os funcionários mais jovens, que são por eles criticamente classificados como integrantes da "geração I" - imaturos, insubordinados e infiéis. É o desencontro de gerações...No campo econômico, estudos longitudinais têm mostrado que a produtividade dos idosos compensa eventuais desvantagens. Os dados mostram que os idosos agregam às empresas um valor que supera o valor dos seus salários (Ana Rute Cardoso et. al., Are older workers worthy of their pay?, Bonn: Institute for the Study of Labor, 2010). No caso do Brasil, soma-se o fato de os idosos aceitarem trabalhar por salários mais baixos, apresentando ainda uma baixa rotatividade. E mais: a grande maioria dos idosos pretende continuar trabalhando por muito tempo.Haverá oferta desses funcionários? Penso que sim. A taxa de incremento anual dos idosos é de 4%, enquanto a da população total é de 1%. Haverá muitos idosos para trabalhar.Além disso, as barreiras para o trabalho dos idosos estão diminuindo. Aparte a melhoria da saúde e da instrução, começam a surgir estímulos específicos, como é o caso de vários projetos de lei que buscam limitar a sua jornada de trabalho e do Estatuto do Idoso, que dá prioridade para a profissionalização e a reciclagem dos mais velhos. Essa lei estabelece ainda a idade como critério de desempate em concursos públicos. Se, a exemplo da França, o Brasil estabelecer uma idade mínima de 62 anos para a aposentadoria, a oferta de idosos para o trabalho aumentará ainda mais.Será que isso afetará a oferta de trabalho para os jovens? Tudo indica que não, é claro, se o Brasil continuar crescendo entre 4% e 5% todos os anos. Mas este é assunto para outro artigo.PROFESSOR DE RELAÇÕESDO TRABALHO DA FEA-USPSITE: WWW.JOSEPASTORE.COM.BR