Confira mais informações sobre alguns dos negócios que têm como público-alvo grupos de consumidores recém-formados no país

Por Mariana Iwakura e Thiago Cid

Esta reportagem é um extra da matéria "Os novos negócios do novo Brasil", publicada na edição impressa de Pequenas Empresas & Grandes Negócios (ed. 260 - setembro/2010).

NOVOS VELHOS
Tratamento médico com acompanhamento
Mais numerosos entre a população com doenças crônicas, os idosos são o principal público-alvo da Íntegra Medical. A empresa planeja e executa iniciativas para ajudar os pacientes a seguir corretamente o tratamento prescrito pelo médico. Esses programas, que podem incluir visitas domiciliares e atendimento por telefone – tudo feito por profissionais da área de saúde –, são solicitados e pagos pelas indústrias farmacêuticas, que fabricam os remédios utilizados por esses pacientes. O objetivo é melhorar a eficácia do tratamento. “Após notarem uma melhora, muitos pacientes abandonam o tratamento. Eles não sabem que a não adesão compromete a saúde e o efeito do medicamento”, diz Luciana Guimarães, 35 anos, diretora-executiva da Íntegra Medical. Fundada em 2005, a empresa já atendeu mais de 40 mil pacientes e faturou R$ 6,9 milhões em 2009. A meta é ganhar R$ 15 milhões neste ano.

  MULHERES PODEROSAS
Um guarda-roupas que vem pronto
Para mulheres que querem ter um visual totalmente dentro da moda, mas não têm paciência, tempo ou vontade de garimpar as novidades nos shoppings, o site OQVestir, fundado em 2009, reúne e combina as peças, apresentando um “look” pronto para a consumidora. É como uma revista de moda virtual – a cliente escolhe o conjunto a partir de fotos e descrições detalhadas, faz a compra e recebe tudo por correio ou motoboy. O OQVestir pode fazer até atendimentos emergenciais. “Uma advogada telefonou desesperada porque tinha uma reunião importante e estava mal vestida. Enviamos um portador com várias opções, a cliente escolheu a roupa que queria, foi arrumada para a reunião e, no dia seguinte, mandou uma mensagem de agradecimento”, diz a sócia Mariana Mendes Medeiros.

  SOZINHOS, NÃO SOLITÁRIOS
Cabe mais um à mesa?
No ano 2000, o empresário paulistano Ricardo Ferreira viajou a trabalho para São Francisco, nos Estados Unidos. Ele passou uma semana na cidade. “Minha grande frustração foi não ter uma boa companhia para aproveitar as atrações, como teatros e restaurantes.” No dia de sua volta ao Brasil, Ferreira se deparou com um anúncio de jornal: um serviço de amizades se propunha a reunir solteiros ao redor de uma boa mesa. O pretexto era fazer amigos e aprender sobre gastronomia. Mas a intenção principal era aproximar pessoas que, com a vida atribulada do dia a dia, não tinham oportunidade de conhecer outras com interesses parecidos. Era exatamente o serviço de que ele precisava nos EUA. Já de volta, Ferreira decidiu montar um negócio com o mesmo modelo – o Table for Six. “O formato de encontro em torno de uma mesa é vantajoso porque os participantes não ficam embaraçados caso não role um clima entre eles”, diz. Os encontros são realizados em restaurantes e casas noturnas de São Paulo. O número de participantes oscila entre quatro e oito pessoas – segundo Ferreira, um encontro com mais casais perde o clima intimista de paquera. Dez anos depois, o negócio está mais que engrenado. Ferreira diz ter 450 clientes ativos. Cada um paga uma anuidade de R$ 1.500 mais as despesas. Ele não tem números, mas sua impressão é de que a procura está cada vez maior. “Depois dos 40 anos, conhecer pessoas não é algo espontâneo”, diz Ferreira. “O Table for Six oferece a pessoas de alto nível financeiro a possibilidade de encontrar parceiros do mesmo padrão, com as mesmas afinidades.”

  CASAIS COM DINHEIRO
Cães supermimados
Lançada em junho deste ano, a rede de franquias Dog Relax, de cuidadores de cães, tem três franqueados em treinamento. A empresa quer fornecer um serviço premium de cuidados, para donos que estão dispostos não só a pagar alguém para passear com o cachorro, mas também para pernoitar na residência do cliente e cuidar do bicho quando o humano vai viajar. “Os casais sem filhos chegam a investir mais nos pets do que gastariam com crianças”, afirma Artur Hipólito, presidente do Grupo Zaiom, do qual a rede faz parte. A franqueadora oferece treinamento para o cuidado dos cães e prevê um faturamento bruto mensal de R$ 9 mil para uma franquia com 20 clientes. O negócio levanta a bandeira das microfranquias, com baixo investimento inicial e possibilidade de ser instalada em casa. A taxa de franquia varia de R$ 5 mil a R$ 15 mil. Somam-se a esse valor R$ 3 mil de instalação da franquia e R$ 2 mil de capital de giro.

  CRIANÇAS DIFERENCIADAS
Ensino com técnicas de Harvard
Na escola infantil bilíngue Bluebonnet, de São Paulo, o método de ensino é baseado na filosofia de Howard Gardner, professor da Universidade Harvard que ensina que as crianças nascem com nove inteligências. Antes de montar a escola, em 2006, Mirella Vitiello Aliaga, 37 anos, fez um curso com o próprio Gardner. “Os pais expressam o desejo de investir no filho para que a criança tenha o melhor”, diz Mirella. Segundo a empresária, 90% dos 94 alunos são filhos únicos. A mensalidade é de R$ 1.500, em média. Localizado no Alto de Pinheiros, o empreendimento teve uma procura tão grande que a inauguração teve de ser antecipada. Agora, Mirella irá investir em uma unidade para o ensino fundamental, no mesmo bairro, e em outra escola de ensino infantil, na cidade de Santo André.

  CLASSE C SOFISTICADA
Design de Rolex, preço popular
Os relógios suíços são os mais desejados do mundo, mas custam milhares de dólares, que poucos podem pagar. Mas que tal fabricar relógios com o design e a qualidade dos suíços a preços acessíveis? É uma fórmula que o suíço Philippe Marchand e os brasileiros Marcelo Di Giorgio e Marcelo Amado conseguiram estabelecer. Marchand, que foi relojoeiro da marca Rolex por mais de 20 anos, conheceu os brasileiros na Espanha, em 1992. Decidiram, juntos, fabricar relógios. Passaram 15 anos vendendo seus produtos exclusivamente na Europa. O grande teste do mercado popular veio em 2009, quando abriram sua primeira loja no Brasil, em Búzios, no estado do Rio de Janeiro. Vendendo relógios a partir de R$ 49, eles chegaram a 32 lojas em um ano, faturando R$ 12 milhões. “Estamos buscando a classe C, que representa 52% da população brasileira”, diz Marcelo Di Giorgio. Para este ano, a previsão é que a marca alcance 70 pontos de venda e um faturamento de R$ 35 milhões.
  Fonte: Pequenas Empresas / Grandes Negócios 

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