Usina siderúrgica no Pará deve abrir sozinha 38 mil vagas em três anos. Os salários podem chegar a R$ 10 mil

Em se tratando de números, esse setor não deixa a desejar: são 42 milhões de toneladas de aço por ano, e há planos bem ambiciosos. Em 2016, pode alcançar 88 milhões de toneladas. Com esse mercado crescendo tanto assim, as indústrias já se deram conta de que vão precisar de mais trabalhadores. Só as siderúrgicas planejam abrir 15 mil vagas em quatro anos.   Novas usinas estão sendo construídas e antigas estão em expansão, graças aos investimentos que retornaram ao país depois de quase duas décadas. O problema é ter mão-de-obra para atender esse crescimento todo.

Em Marabá, no sudeste do Pará, começaram as obras para a construção de uma siderúrgica que precisa de muita gente qualificada. Contando as fases de implantação e operação da usina, a previsão é de gerar mais de 38 mil empregos diretos e indiretos nos próximos três anos.

Há vagas para operadores de máquinas, pedreiros, eletricistas e prestadores de serviços nas áreas de hotelaria, alimentação e informática. Os salários variam: um pedreiro, por exemplo, recebe, em média, R$ 1.000 por mês. Já um engenheiro pode ganhar, no mínimo, R$ 4.500 mensais.

A empresa responsável pela usina firmou parcerias pra garantir mão de obra local. No Senai, 1.200 jovens devem se formar até agosto. Apesar do investimento, a falta de qualificação ainda preocupa. “Se o Brasil crescer à taxa de 4 ou 5% nos próximos anos, até 2015 a gente tem o que a mídia pauta hoje de ‘apagão de mão de obra’. A nossa grande preocupação hoje é a mão-de-obra especializada”, explica o gerente geral de Recursos Humanos da Vale, João Menezes.

Em uma indústria que exporta máquinas, sempre há vagas, mas também dificuldades para selecionar candidatos, até mesmo para os postos mais simples, como operador. Faltam ensino médio, experiência e conhecimento tecnológico. Hoje em dia, nessa área, já não se faz mais nada sem o auxílio da tecnologia.

“Algumas usinas já estão exigindo que o nível operacional seja de tecnólogo. Há um crescimento na tecnologia, exigindo que esses trabalhadores sejam mais qualificados”, diz Horacídio Leal Barbosa Filho, diretor-executivo da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM).

No país, a maior procura é por técnicos principalmente em mecânica, que concentram 34% das vagas, seguidos pelos técnicos em metalurgia (10%) e eletrotécnica (8%). Um profissional assim ganha, no início da carreira, R$ 3.000 por mês.

“Acho que podemos incentivar jovens que estão lá no interior a estudar matemática, física e química, porque é isso que vai fazer com que eles virem engenheiros. Um país precisa ter engenheiros para crescer. A China forma hoje em torno de 500 mil engenheiros por ano. O Brasil está formando 30 mil. Hoje falta gente e vai faltar muito mais”, afirma Barbosa Filho.   Fonte: Jornal Hoje 

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