Direito Natural e Humanismo Fraternal MARCOS OLIVEIRA DE MELOProcurador Federal, Mestre pelo UNIVEMmestradojus@univem.edu.br Em uma sociedade pluralista não é fácil atingir um consenso por meio da discussão racional pública. Vivemos em um mundo pós-moderno, com problemas da modernidade que se acumulam com novos, levando a um mar de incertezas e descrença, em um ceticismo crônico. Daí a necessidade de uma análise crítica do direito.Chegamos a uma nova época que exige um novo Direito, uma nova Ética, um novo formato no pensar. Pensar em um novo Direito que deve ser visto a partir de sua função promocional de comportamentos tidos como desejáveis e, por isso, não se circunscreve a proibir, obrigar ou permitir, mas também de estimular a prática da ética nas relações sociais.Assim, o Direito tem esse viés promocional de estabelecer uma aproximação entre o ideal e o real na relação humana, ou seja, estabelecer a possibilidade de amar as pessoas ao redor, de ser generoso, de dar sentido à existência. A esse ideal se convencionou chamar de humanismo. Esse humanismo pós-kantiano, pós-nietzschiano, pós-republicano, não será mais apenas um humanismo dos direitos e da razão, mas também da emoção e da afetividade, o que levará, especialmente por preocupação com a alteridade, a desconstruir o culto de si para si, adentrando ao ideal do amor, da fraternidade e da simpatia.Impõe-se a ideia de que a vontade humana, desde que se torne comum a todos, presente o Direito Natural consubstanciado no respeito mútuo, possa fazer reinar o bem e trazer a salvação a todos, e esse feliz acontecimento não se produzirá no céu, após a morte, mas aqui e agora.Assim é que devemos impor uma nova visão moral do mundo comparável em amplitude às antigas. Esse novo Humanismo tem como principal predicado a fraternidade, não tendo como fundamento um Deus, uma pátria ou uma grande causa, mas o ser humano. Por ele e para ele é que terá sentido nossa existência.Nesse cenário, são precisas as palavras do prêmio Nobel da Paz de 1994, Shimon Peres, para quem "há duas questões em que devemos fechar os olhos e nos entregar: O amor e a paz"Em última análise, experimentamos uma reconfiguração social que exige indagações éticas, sobretudo acerca de nossa própria existência como seres naturais, humanos que somos, e, por conseguinte, exigindo do Direito - ordenação normativa de condutas - um viés humanista.Esse novo pensar não se limita a simples reflexões abstratas sobre a ideia de justiça, desprovidas de conteúdo material, antes abre um novo horizonte para indagações urgentes e necessárias para a sobrevivência da espécie humana.