Emenda propõe que texto deixe claro que direitos básicos dos cidadãos Emenda propõe que texto deixe claro que direitos básicos dos cidadãos sãoessenciais para os brasileiros serem felizesRio - A felicidade dos brasileiros virou assunto para a Carta Magna. AComissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem umaProposta de Emenda Constitucional (PEC) que inclui o termo "busca dafelicidade" em um artigo da Constituição que trata dos direitos básicosdos cidadãos: a chamada PEC da Felicidade de autoria do senador CristovamBuarque (PDT-DF). Agora, a emenda vai a plenário no Senado. Se aprovada,vai para a Câmara dos Deputados. Se passar, o artigo 6º da Constituiçãoserá redigido assim: "São direitos sociais, essenciais à busca dafelicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, olazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e àinfância, a assistência aos desamparados".Cristovam Buarque destaca que a ´PEC da Felicidade´ não obrigaria ogoverno a criar projetos para garantir a felicidade individual."Evidentemente as alterações não buscam autorizar um indivíduo a requererdo Estado ou de um particular uma providência egoística a pretexto deatender à sua felicidade", pondera o senador na justificativa do projeto."Todos os direitos previstos na Constituição - sobretudo, aqueles tidoscomo fundamentais - convergem para a felicidade da sociedade".Para o diretor do filme ´A Suprema Felicidade´, Arnaldo Jabor, "afelicidade tinha que ser algo conquistado, mas hoje ela vem ´delivery´. "Aindústria da felicidade é muito forte", diz. Marco Nanini, ator do filme,acrescenta: "Só com simplicidade, todas as outras coisas ficam maispossíveis de serem alcançadas".Estado pode garantir só o bem-estarApesar da boa intenção do senador de colocar o assunto na Constituição, apsicóloga Teresa Creusa Negreiros adverte que não há como o Estadotrabalhar pela "felicidade" do povo, porque esse é um sentimento muitopessoal. "Há uma diferença entre felicidade e bem-estar. A felicidade éabstrata, efêmera. Mesmo em um mesmo indivíduo, a ideia de felicidadevaria ao longo da vida. Cada um tem uma definição própria do que é serfeliz", explica.Segundo Teresa, o que a Constituição pode garantir é o bem-estar - quandoquestões físicas e psíquicas estão satisfeitas: "A pessoa pode ter tudo,casa, comida, saúde, e não ser feliz. A felicidade não é objetiva".Colaborou Leandro Souto Maior